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Travamento da marcha (freezing)

Freezing no Parkinson: travamento ao andar

Freezing (congelamento da marcha) é quando a pessoa com Parkinson sente os pés ‘grudados no chão’ e não consegue dar o próximo passo, mesmo querendo. É breve, mas aumenta o risco de quedas — e há estratégias que ajudam.

O freezing costuma assustar: o corpo quer seguir, mas os pés não respondem por alguns segundos. Acontece com mais frequência ao iniciar a marcha, virar, passar por portas ou em locais apertados, e sob pressão de tempo.

O que é o freezing

É um bloqueio temporário e involuntário da marcha. Dura segundos, mas pode causar desequilíbrio e quedas. Faz parte das alterações da marcha do Parkinson e tende a aparecer em fases mais avançadas, embora varie de pessoa para pessoa.

Quando costuma acontecer

  • Ao iniciar o movimento (‘start hesitation’);
  • Ao virar ou mudar de direção;
  • Ao passar por portas e espaços estreitos;
  • Em multidões ou com pressa;
  • Mais comum em períodos OFF da medicação.
Relação com a medicação

O freezing costuma melhorar com a levodopa, especialmente quando ocorre nos períodos OFF. Com o tempo, parte dos episódios pode se tornar menos responsiva ao remédio — por isso as estratégias de marcha são tão importantes.

Estratégias que podem ajudar

Técnicas de ‘pistas’ (cueing) ajudam o cérebro a destravar o movimento. Sempre oriente-se com a equipe de reabilitação, mas exemplos comuns incluem:

  • Pista visual: dar um passo por cima de uma linha no chão (real ou imaginária);
  • Pista sonora/ritmo: marchar contando ‘1-2-1-2’ ou ao som de uma música;
  • Mudar o foco: pensar em dar um passo grande, em vez de só ‘andar’;
  • Reposicionar o peso antes de iniciar o passo.
Situação de risco Estratégia possível
Travar ao iniciar Contar em voz alta e dar um passo amplo
Travar em portas Mirar um ponto além da porta
Travar ao virar Fazer a curva ampla, em vez de girar no próprio eixo
Pressa/multidão Parar, respirar e retomar com ritmo

Se o travamento ao andar está causando sustos ou quedas, agende uma avaliação para ajustar o tratamento e orientar a reabilitação.

Reduzindo o risco de quedas

O tronco pode continuar inclinado para frente enquanto os pés não saem do lugar. Isso aumenta o risco de queda, fraturas, medo de andar e perda progressiva de independência. Muitas vezes a família começa a restringir todas as saídas por medo de queda. A proteção é compreensível, mas o objetivo deve ser criar segurança sem tirar autonomia.

Como o freezing aumenta o risco de cair, vale combinar o ajuste do tratamento com fisioterapia, adaptações em casa (tirar tapetes soltos, boa iluminação, corrimãos) e calçados firmes. A prevenção de quedas é parte central do cuidado.

Quando procurar especialista

Procure avaliação se o freezing surgiu ou piorou, se houve quedas, ou se os episódios estão mais frequentes nos períodos OFF. O manejo combina ajuste de medicação e reabilitação, de forma individualizada.

Precisa de uma avaliação especializada em distúrbios do movimento? Agende sua consulta no Movimento+ para um diagnóstico preciso e um tratamento individualizado.

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Perguntas frequentes

Por que os pés ‘grudam no chão’?
É um bloqueio temporário da marcha ligado ao Parkinson, mais comum ao iniciar o passo, virar ou passar por portas.
O freezing melhora com remédio?
Frequentemente sim, sobretudo quando ocorre em períodos OFF. Parte dos casos pode responder menos com o tempo.
Contar passos ajuda mesmo?
Sim, pistas sonoras e visuais ajudam muitas pessoas a destravar o movimento. A reabilitação personaliza as estratégias.
Freezing aumenta o risco de queda?
Sim. Por isso a prevenção de quedas e a fisioterapia são tão importantes.
O freezing acontece em todo Parkinson?
Não. É mais comum em fases avançadas, mas varia bastante entre as pessoas.
Bengala ou andador ajudam?
Podem ajudar em casos selecionados; o ideal é definir com a equipe de reabilitação.
O que fazer na hora do travamento?
Evite puxar bruscamente. Dê tempo, oriente a pessoa a respirar, olhar para um alvo e tentar dar um passo sobre uma linha imaginária ou marca no chão.
Fisioterapia ajuda no freezing?
Sim. Fisioterapia especializada em marcha e equilíbrio pode ensinar estratégias para reduzir impacto e risco de quedas.
O DBS melhora o freezing?
Depende do caso. Freezing e equilíbrio podem responder menos ao DBS do que tremor, rigidez e flutuações. A avaliação individual é essencial.

Sobre os autores

Dra. Priscila Vidaurre Molina
Escrito por
CRM 5201066846

Neurologista pela UERJ, especialista em Distúrbios do Movimento, integrante da equipe de Distúrbios do Movimento da UERJ e CEO do Movimento+.

Dr. Alessandro Almeida
Revisado por
CRM 52947458

Neurocirurgião com atuação em dor, neurocirurgia funcional e distúrbios do movimento. Especialista e Mestre em Neurocirurgia pela UERJ/HUPE. Residência em Dor e Distúrbios do Movimento pela USP.

Referências

  1. Parkinson’s Foundation — Freezing
  2. Parkinson’s Foundation — Freezing and Fall Prevention
  3. NINDS — Parkinson’s Disease

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser individualizados após avaliação especializada.